Os caminhos para envelhecer bem

Não restam dúvidas de que estamos vivendo mais. A discussão agora é como viver mais e melhor em um futuro que, apesar de parecer bem distante, está cada vez mais próximo. Nesse sentido, a palavra longevidade pode afastar as pessoas do tema, mas a caminhada para alcançá-la com qualidade de vida começa cedo.
E o Brasil? Em que patamar se encontra quando o assunto é longevidade? Hoje, o país soma 207,7 milhões de habitantes, 24 milhões deles (13% da população) com mais de 60 anos de idade, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Estimativas feitas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que em 2050 esse número pode chegar a 64 milhões. Isso significa que três em cada dez brasileiros terão mais de 60 anos.
“São anos a mais de vida, não anos de velhice”, pontuou o gerontólogo Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade-Brasil (ILC-Brasil) e consultor em Longevidade do Grupo Bradesco Seguros. Kalache foi um dos participantes do XII Fórum da Longevidade, que o Grupo Segurador patrocinou na capital paulista no dia 18 de outubro, reunindo especialistas nacionais e estrangeiros para debater o assunto, diante de uma audiência superior a 500 participantes.
O gerontólogo deixou claro que, além do capital Saúde, são necessários outros três capitais para se chegar bem posicionado na maratona da vida: Conhecimento, Social e Finanças. Juntos, esses quatro pilares são capazes de tornar as pessoas resilientes a embates, desafios, barreiras e perdas.
Outro ingrediente fundamental chama-se propósito de vida. Acordar sabendo que se tem mais um dia para fazer e conquistar coisas. Com os quatro capitais e com um propósito de vida é que vamos tornar essa longevidade muito mais ativa, globalizada e, espero, muito mais feliz”, declarou Kalache.
Presidente do Grupo Bradesco Seguros e Vice-Presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Junior ressaltou a importância de se acrescentar qualidade ao tempo conquistado. “Este é um convite para fazer diferente e fazer melhor. Vamos ser agentes da mudança e protagonistas de nossas vidas, pois tão importante quanto acrescentar dias às nossas vidas é acrescentar vida aos nossos dias”, ressaltou o executivo na abertura do evento, que também contou com uma performance da cantora Ellen Oléria e teve a apresentadora Astrid Fontenelle como mestre de cerimônia.

A construção da saúde

O processo de envelhecimento é um mosaico de adversidades que requer compreensão, aceitação e adaptação às mudanças, sobretudo com o declínio funcional do corpo, pois o grande conflito ocorre quando as doenças se instalam. “Devemos ouvir a voz do nosso corpo o tempo todo, compreender tudo o que for possível sobre aquilo que vai nos acontecer”, explicou Claudia Burlá, especialista em geriatria e membro da Academia de Medicina do Rio de Janeiro. A palavra de ordem é se antecipar e prevenir, e nesse sentido a medicina e a tecnologia permitem diagnósticos precoces. Quando a prevenção não for mais possível, é preciso agir rapidamente para que a doença não se instale de maneira desastrosa.
Acumular informações e experiências em todas as fases da vida também é importante nesse processo e garante a chamada resiliência cognitiva: em pessoas com alterações anatômicas no cérebro e predispostas a doenças neurodegenerativas como o Alzheimer, a manifestação pode se dar de maneira diferente e mais tardiamente.
Não há milagre para que se tenha saúde. Ainda que a medicina avance para resolver novos problemas e garantir um atendimento adequado aos idosos, as escolhas de cada indivíduo ao longo da vida são determinantes. Por isso, abrir mão dos prazeres de hoje, como uma alimentação excessiva, pode significar ganhos amanhã.
“Por hábito, quando pensamos em estarmos saudáveis, pensamos em prevenir doenças. Mas observamos que os idosos centenários frequentemente passam a vida pensando em ter saúde, e não em prevenir doenças”, afirmou a especialista em envelhecimento Marília Louvison. “Sempre é tempo de fazer escolhas que nos permitam ser a melhor versão de nós mesmos todos os dias”, frisou.
As escolhas são conhecidas e vão desde uma alimentação diversificada, colorida e com menos produtos refinados até a prática de exercícios físicos, ingestão de água, sono adequado e meditação. Entretanto, a construção de escolhas mais saudáveis de acordo com as possibilidades de cada pessoa não deve ser feita individualmente. É preciso fazer com que elas sejam também mais acessíveis e baratas.
“Precisamos colocar o Estatuto do Idoso em prática, pois o Brasil não será sustentável sem políticas adequadas para que as pessoas possam envelhecer melhor”, afirmou Alexandre Kalache.

Intergeracionalidade

Não é raro encontrar idosos isolados em um só lugar e este é um dos maiores problemas da longevidade. “É importante trazer a diversidade de atividades para perto de todos. No campo da arquitetura, o que se tenta é balancear o lado negativo com a funcionalidade que a área pode fornecer. Criar estímulos, colocar quartos e áreas de convivência comuns, com atividades e área social compartilhadas”, exemplificou o arquiteto alemão Matthias Hollwich, que destacou a criação de prédios que sirvam para todas as gerações se unirem, trocarem experiências e interagirem em um mesmo local. “Normalmente, os arquitetos querem um prédio lindo. Prefiro um com caráter. A beleza se vai, mas o caráter permanece.”

O fato é que o mundo todo tem dificuldade para responder aos desafios do envelhecimento. “Todos deveriam trabalhar juntos e pensar no que funciona melhor, em como adaptar as políticas públicas às mudanças não apenas para idosos, mas para todas as idades, para o transcorrer da vida”, declarou Karen Glaser, diretora do Instituto de Gerontologia, Departamento de Ciências Sociais, Saúde e Medicina da King’s College London, sugerindo o aumento da participação de pessoas idosas no trabalho.
Trazendo a experiência internacional, a empreendedora social Gabrielle Kelly contou como o Sul da Austrália, onde vivem 1,3 milhão de pessoas, está estudando, pensando e construindo o bem-estar e a resiliência coletivos. “O primeiro passo foi ouvir essas pessoas. Constatamos que os idosos locais queriam aprender, fazer parte de grupos, aprofundar relacionamentos, compartilhar, ajudar a comunidade a crescer, além de reconhecer as outras pessoas e também serem reconhecidas”, disse.
A mensagem era a de que todos queriam ser membros da sociedade, um ser humano em meio a outros. Assim, foram reunidas evidências científicas do mundo todo e transformamos em um treinamento direto, para que fosse acessível e compreendido por todos.
“Usamos uma metodologia de distribuição de conhecimento em redes. Ensinamos dez pessoas, que repassam a mais dez, espalhando a informação. E o mais importante: ajudamos a pensar como colocar [o ensinamento] em prática, para que se torne ação. No fim do ano, teremos impactado 38 mil pessoas diretamente para construírem seu bem-estar”, explicou Gabrielle.

Equilíbrio entre as contas públicas e privadas

Os gastos com previdência social sobem à medida que um país envelhece, assim como decrescem quando a participação de jovens é maior na população. Entre 1988 e 2015, a taxa de envelhecimento cresceu 86% e o gasto real, 256%, percentuais que devem aumentar ainda mais daqui para a frente. “A população de crianças está diminuindo acentuadamente, de modo que já em 2040 teremos muit mais idosos do que crianças no Brasil. O país do futuro terá desaparecido”, alertou Paulo Tafner, economista e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).
A reposição da renda em tempos de aposentadoria, com pensão paga sem qualquer limitação e possibilidade de acúmulo de benefícios, além do próprio desincentivo à contribuição – há um número expressivo de pessoas que se aposentam antes dos 50 anos – justificam os gastos tão altos por aqui.
“Nossas regras estão erradas e, se forem mantidas, teremos no máximo dois trabalhadores para financiar cada inativo, o que apenas será feito com elevada produtividade dos jovens. Estamos legando um custo pesado para as futuras gerações, que terá metade da jornada de trabalho dedicada para pagar previdência, plano de saúde, educação e segurança, e outra metade para pagar os custos de produção mais a sua própria geração de riqueza”, afirmou Tafner.
Seria a previdência privada um instrumento para se proteger da aposentadoria? Para a jornalista econômica especializada em planejamento e finanças pessoais, Mara Luquet, a previdência complementar tende a representar, cada vez mais, um complemento de renda não apenas na aposentadoria, mas também para quem continua na ativa, uma vez que a revolução da longevidade tende a estender consideravelmente o período laborativo. “Nessa revolução, a reinvenção pessoal é o nosso grande ativo”, frisou Mara.
Reinventar-se, aliás, faz parte da vida da jornalista, que recentemente encerrou contrato com uma emissora de TV, onde atuava como colunista, para se dedicar integralmente ao canal de finanças pessoais que criou há quase uma década. “Completei 51 anos e não queria chegar aos 60 fazendo a mesma coisa. Tem uma série de oportunidades acontecendo e eu, que já poderia me aposentar, não me vejo aposentada.”

Mantenha a mente ativa

Uma das mais importantes lições para conquistar a longevidade ativa é exercitar a mente e nunca deixar de aprender. “A longevidade, no nosso corpo físico, não é suficiente”, lembrou Pedro Calabrez, pesquisador do laboratório de neurociências clínicas da Escola Paulista de Medicina (Unifesp).
No entanto, o cérebro envelhece mal não só pelo sedentarismo e pela má alimentação, mas também pela falta de manutenção da atividade intelectual. De acordo com o especialista, o imediatismo e a acomodação são os maiores inimigos no processo de buscar o diferente. “Conhecimento sem ação se torna vazio. Se nos preocupamos com o futuro é porque temos um cérebro capaz disso. E se somos melhores do que ontem é porque nos mantivemos ativos aprendendo coisas novas”, afirmou.
Só existe um caminho para se chegar à longevidade com a mente ativa: abraçar as diferenças, desafiar o cérebro e não se sujeitar a uma sociedade onde tudo se resolve com aplicativos e dois cliques. Então, se o seu desejo é chegar aos 100 anos com a mente ativa, lute contra as vontades imediatas e preguiçosas. “Acomodação é sinônimo de morte.”

Ícone da Longevidade

Quando foi a última vez que você aprendeu algo novo? O cantor e compositor Toquinho, eleito Ícone da Longevidade para a edição 2017 do Fórum da Longevidade Bradesco Seguros, faz isso todos os dias. A paixão pela música começou aos 12 anos, nas aulas de violão, período em que aprendeu com grandes mestres. “Queria estudar com o Paulinho Nogueira ou com o Luiz Bonfá, olha a minha pretensão! Mas ousadia é fundamental até na idade de hoje. Temos que ser um pouco ousados, com certos critérios de precauções”, recomendou o artista, que lembrou sua trajetória de vida e contou as histórias de seus sucessos.

Outro assunto abordado por ele, que aos 71 anos de uma vida intensa não para de produzir e aprimorar talentos, foi a amizade com o poeta Vinícius de Moraes. A diferença de aproximadamente 23 anos entre os dois quando se conheceram não interferiu na relação, garantiu Toquinho. “O Vinícius era o grande Vinícius e eu estava começando a minha carreira, mas sempre mantive com ele um relacionamento de muito respeito e de igualdade, o que era essencial para o bom funcionamento de nossa parceria musical”, recordou.
E será que a vida tem mesmo sempre razão, como diz uma música que ele e Vinícius de Moraes compuseram juntos? Toquinho acredita que sim. “A vida é uma coisa ditatorial. Ela fala alguma coisa e nós temos que obedecer.”

Viva a Longevidade

Durante o XII Fórum da Longevidade, o Grupo Bradesco Seguros lançou a Plataforma da Longevidade, que reúne todas as iniciativas promovidas ou patrocinadas pelo Grupo Bradesco Seguros com o objetivo de incentivar a conquista de um envelhecimento ativo e saudável, com qualidade de vida, bem-estar e planejamento financeiro.

Além do próprio Fórum, as ações incluem os Prêmios e o Circuito da Longevidade, o Programa ‘Porteiro Amigo do Idoso’, o Movimento Conviva e o Programa ‘Juntos pela Saúde’. Como parte integrante da Plataforma, também foi lançado durante o evento o portal “Viva a Longevidade”, que contém pesquisas, notícias, comentários de especialistas, dicas e testes sobre saúde, bem-estar, finanças e convivência.
“O histórico, a experiência e a afinidade com o negócio do Grupo Bradesco Seguros, que tem em seu DNA o compromisso com a conquista da longevidade, credenciam a nova Plataforma como referência no assunto”, destacou Alexandre Nogueira, Diretor da Bradesco Seguros.
Também fazem parte da Plataforma os embaixadores da longevidade, apresentados durante o evento e que têm como missão orientar as pessoas sobre iniciativas e atitudes concretas que podem conduzir à conquista do envelhecimento ativo, com qualidade de vida. Alexandre Kalache, Mara Luquet e o ex-atleta olímpico Robson Caetano responderão pelos pilares de Conhecimento, Finanças e Bem-estar, respectivamente.
“Quanto mais cedo a programação para o futuro começar, menos difícil será o caminho para a longevidade”, disse Jorge Nasser, Diretor-Geral da Bradesco Vida e Previdência e da Bradesco Capitalização.
É importante lembrar que o sistema da previdência oficial, desconsideradas algumas especificidades, atende à maioria da população”, ressaltou o executivo, lembrando que, nesse sentido, a previdência complementar, como o próprio nome sugere, tem como principal missão suprir a diferença para os que possuem renda superior ao teto dos proventos de aposentadoria.
Marco Antonio Gonçalves, diretor geral da Organização de Vendas do Grupo Bradesco Seguros, disse que ainda existem muitos desafios ligados à longevidade, mas que é preciso nos manter firmes na busca das soluções. “Temos que implementar as melhorias possíveis e investir no equilíbrio permanente de todos os pilares para garantir uma vida cada vez mais longeva e com qualidade”, exaltou.
Já do ponto de vista de saúde, Diretor-Geral da Bradesco Saúde e da Mediservice, Manoel Peres, ressaltou a importância da prevenção em todas as etapas da vida, como forma de conquistar uma vida longeva e saudável. “Precisamos levar esse debate a todas as esferas de nossas vidas, para que possamos deixar como legado um mundo melhor”, concluiu.

Reconhecimento

Para ampliar o alcance do tema ‘Longevidade’, o Grupo Bradesco Seguros criou os Prêmios Longevidade, nas categorias de Jornalismo, Histórias de Vida e Pesquisa em Longevidade. Em sua sétima edição, a cerimônia de premiação contou com a participação da cantora Wanderléia e dos atores Cláudio Lins e Christiane Torloni.

Prêmio Longevidade de Jornalismo

  • Modalidade Mídia Impressa

1º lugar: Ana Paula Menezes Holanda Barros, Revista Vida Simples (São Paulo/SP) – “Como envelhecer”
2º lugar: André Jankavski Alonso von Ancken, Revista IstoÉ Dinheiro (São Paulo/SP) – “Haverá emprego para a geração sênior”
3º lugar: Renata Valério de Mesquita, Revista Planeta (Taubaté/SP) – “O que você quer ser quando envelhecer?”

  • Modalidade Mídia Digital

1º lugar: Carolina Mello Samorano e
Juliana Contaifer, Portal Metrópoles (São Paulo/SP) – “Chegamos à quarta idade. E agora, estamos preparados?”
2º lugar: Carolina Parmisciano Ercolin Ritter, Rádio Jovem Pan (São Paulo/SP) – “O Brasil envelhece às margens da saúde”
3º lugar: Clarissa Capistrano de Pinho Sampaio, Nordestv/Band Ceará (Fortaleza/CE) – “Para não esquecer”

Prêmio Pesquisa em Longevidade

  • Modalidade Geriatria

1º lugar: Amanda Soares Alves (São Paulo/SP) – “Papel do sistema imune na longevidade e a possível correlação com doenças associadas à idade”
2º lugar: Daniela Camporez (Vila Velha/ES) – “Identificação de Biomarcadores genéticos na Doença de Alzheimer”

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